Fungicida, tecnologia de aplicação e manejo cultural continuam fundamentais. Mas, diante de uma doença cujo controle químico encontra limites, a escolha da cultivar passa a ser uma decisão estratégica. Em Campo Novo do Parecis (MT), a Lenda IPRO se destacou em um trabalho com 50 cultivares, apresentando uma das menores incidências de mancha-alvo entre os materiais avaliados.
A mancha-alvo, causada por Corynespora cassiicola, deixou há muito tempo de ser uma doença secundária da soja. Hoje, faz parte da rotina de manejo em importantes regiões produtoras, principalmente no Cerrado e no Matopiba.
O problema é que não existe uma única ferramenta capaz de resolver a doença. O fungicida tem papel fundamental, mas resultados de redes de pesquisa mostram que o controle químico possui um teto. Ao mesmo tempo, condições de ambiente, arquitetura de plantas, cobertura da pulverização, restos culturais e suscetibilidade genética interferem diretamente na evolução da doença.
É justamente por isso que a cultivar precisa entrar na conta.
Em cultivares suscetíveis, a mancha-alvo pode provocar desfolha intensa e comprometer significativamente o potencial produtivo.
Trabalhos conduzidos ao longo dos últimos anos mostram relação direta entre o avanço da severidade e a redução da produtividade. Quanto maior a área foliar comprometida, menor a capacidade da planta de sustentar o enchimento dos grãos.
Na prática, isso significa que cada avanço evitado da doença representa área fotossintética preservada e maior proteção ao potencial produtivo da lavoura.
Por isso, o objetivo do manejo não deve ser procurar uma solução isolada, mas criar diferentes barreiras para dificultar o avanço de C. cassiicola.
Nas últimas safras, os melhores programas de fungicidas avaliados em redes de pesquisa ficaram próximos de 70% de controle da doença.
Além disso, a perda de sensibilidade de C. cassiicola a diferentes grupos de fungicidas já está documentada no Brasil, reforçando a importância da rotação de mecanismos de ação, utilização de multissítios e preservação das tecnologias disponíveis.
Outro desafio está no próprio local onde a doença começa.
A mancha-alvo normalmente se desenvolve primeiro no terço inferior da planta, justamente uma das regiões mais difíceis de alcançar com a pulverização depois do fechamento do dossel.
Quanto mais fechado o baixeiro, maior o desafio para a penetração das gotas e maior a formação de um microclima favorável à doença, com sombreamento e retenção de umidade.
Isso explica a importância de fatores como população de plantas, espaçamento, arquitetura da cultivar e início correto do programa de fungicidas.
Não existe atualmente uma cultivar comercial de soja completamente resistente à mancha-alvo.
O que existe é um gradiente de reação entre cultivares.
Alguns materiais apresentam maior suscetibilidade, enquanto outros conseguem manter níveis menores de doença sob determinadas condições de ambiente e pressão do patógeno.
E é nessa diferença que está uma oportunidade importante para o produtor.
Na prática, escolher um material que apresente melhor comportamento frente à doença significa acrescentar mais uma margem de segurança ao programa de manejo.
Foi exatamente isso que chamou atenção em um trabalho conduzido em Campo Novo do Parecis, Mato Grosso, pela SoloNorte.
Em uma avaliação envolvendo 50 cultivares de soja, a Lenda IPRO, da Genética Pampeana, esteve entre os materiais com menor incidência de mancha-alvo.
O resultado ganha relevância por ter sido obtido em uma região onde a doença representa uma preocupação recorrente para o produtor.
Mais do que um número isolado, o comportamento observado no campo reforça uma característica estratégica da cultivar: sua capacidade de compor sistemas de produção nos quais estabilidade e sanidade precisam caminhar junto com produtividade.
Isso não significa dispensar fungicidas ou qualquer outra ferramenta de manejo.
Significa exatamente o contrário: usar uma cultivar com melhor comportamento como parte de um sistema completo, permitindo que todas as demais ferramentas trabalhem em uma situação mais favorável.
O manejo da mancha-alvo começa muito antes de o pulverizador entrar na lavoura.
Entre as principais medidas estão o tratamento de sementes, rotação de culturas, manejo dos restos culturais, controle de plantas hospedeiras, ajuste do arranjo de plantas, atenção à arquitetura do dossel e início do programa de fungicidas antes que a doença avance para as partes superiores da planta.
A cultivar está dentro desse mesmo planejamento.
No portfólio da Genética Pampeana, diferentes materiais permitem posicionamentos conforme ambiente, ciclo, época de semeadura e pressão de doenças. Cultivares como Brutus IPRO, por exemplo, apresentam arquitetura favorável ao manejo com fungicidas, enquanto outros materiais agregam diferentes características agronômicas que podem ser exploradas no posicionamento de cada propriedade.
Mas, quando o assunto é mancha-alvo, o resultado obtido pela Lenda IPRO em Mato Grosso coloca a cultivar em evidência.
Quando nenhuma ferramenta entrega 100% de controle, o resultado vem da soma.
Tratamento de sementes reduz uma fonte de entrada do patógeno. Rotação ajuda a diminuir o inóculo. Um bom arranjo de plantas melhora o ambiente dentro do dossel. A tecnologia de aplicação aumenta a chance de a calda atingir o baixeiro. O fungicida reduz o avanço da doença.
E a genética pode adicionar mais uma camada de proteção ao sistema.
Para o produtor que convive com a mancha-alvo, principalmente em regiões de alta pressão, o resultado da Lenda IPRO entre 50 cultivares avaliadas em Campo Novo do Parecis (MT) traz uma informação objetiva para o planejamento da próxima safra:
a escolha da cultivar também pode começar o manejo antes mesmo de a soja emergir.